• Fernand Lodi

Artes Visuais no Vale do Aço – Instituto Cultural Usiminas



Com o apoio do Ministério da Cidadania, Governo do Estado de Minas Gerais e Usiminas junto ao Instituto Cultural Usiminas apresentam o Catálogo Artes Visuais no Vale do Aço, uma cartografia da produção artística na região por artistas, professores, historiadores, críticos e curadores de renome internacional, coordenados pelo curador Guilherme Machado.


O Catálogo Artes Visuais no Vale do Aço por si só já é uma obra de arte literária incomum, entregue aos artistas no dia 19 de fevereiro, durante o vernissage do artísta Lorenzato, cuja apresentação encontramos os objetivos e a relevância do projeto como fomentador do reconhecimento e divulgação da produção dos artistas visuais da região.



APRESENTAÇÃO


“ARTES VISUAIS NO VALE DO AÇO surgiu da percepção do interesse da comunidade artística por ações de aprimoramento e informação no campo das artes visuais, bem como na intensa produção artística local.


Dessa forma, o projeto busca promover e mapear a produção em artes visuais na região do Vale do Aço, através das seguintes ações integradas:


Realização de encontros para leitura de portfólios de artistas da região e palestras com os artistas e críticos convidados, além da realização de um curso para confecção de portfólios.


Sua importância está na viabilidade de diálogos do processo de produção dos artistas e nas trocas de informações, que ampliam as possibilidades de observar as obras nos âmbitos do particular e do coletivo.


Tal dinâmica permite aos artistas participantes e ao público em geral compartilhar e se influenciar com percepções diversas.


Por fim, entendemos que o projeto se torna um importante mecanismo para o fomento, o reconhecimento e a difusão da produção dos artistas visuais dessa região. ”


O curador Guilherme Machado, aliado à diretoria do Instituto Cultural Usiminas realizou eventos de grande importância para os artistas da região do Vale do Aço formatados em diálogos, interações, compartilhamentos sobre artes visuais contemporâneas com mestres de quilate incomensurável, como Eduardo de Jesus, Sebastião Miguel, Sidney Philocreon e Mônica Rubinho, que “à posteriori” discutiram portfólios com os artistas.


Posterior à apresentação, no catálogo encontramos textos discutindo o estado das artes visuais no ambiente contemporâneo de interesse geral e a todos que estão de alguma forma ligados aos cenários sócio-artísticos-culturais-ambientais.



SEBASTIÃO MIGUEL, em “Mecanismos de Seleção em artes visuais – Salões de arte/Editais/Mapeamentos/Bolsas/Residências/Prêmios/” relata que “Ao ser convidado para fazer uma palestra/conversa sobre Mecanismos de seleção em artes visuais, me deparei com uma situação muito difícil. Não sendo historiador e, como artista plástico, fora do circuito das seleções de artes visuais devido a um afastamento para qualificação docente e, posteriormente, tendo eu mesmo de fazer concursos e reassumindo uma carreira acadêmica, me deparei com um cenário totalmente diferente do que quando entrei em uma escola de arte há 40 anos. ” (.....)

MÔNICA RUBINHO E SIDNEY PHILOCREON se expressam no texto “Não era uma Invenção, mas uma emergência. ”:


“Não é necessário repetir premissas basais do conceito de sociedade como agrupamento entre pessoas para efetivar trocas e experiências e usar o fazer colaborativo na busca de melhores resultados comuns. ” (....)


No “Texto sobre produção autoral”, MÔNICA RUBINHO E SIDNEY PHILOCREON iniciam relatando que “Por vezes não cabe ao artista revelar os pensamentos que o norteiam na confecção de uma obra, curiosidade comum de expectador, mas, se a obra está diante dos olhos, ela mesma é que deve efetivar esta mediação com melhor qualidade.


A obra, ou a exposição dela, não é um bulário de medidas que pressupõe uma leitura universal para que se constate uma eficácia. “ (....)


EDUARDO DE JESUS em “Contextos contemporâneos da produção artística brasileira” inicia suscitando uma reflexão sobre a produção artística nacional contemporânea e a relevância em observà-la como uma cartografia, passando por “Linhas de força atuais – ecos, reverberações e novas escrituras” e encerra inferindo que “Tudo isso na construção de uma linha de força que, ao se colocar em jogo, pode tornar mais visíveis outros discursos, heranças e modos de vida. A arte pode tornar possíveis as formas de construção de subjetividades abertas e heréticas ao abrigar e suas articulações a multiplicidade dos modos de vida. “


Deixamos aqui pequenos textos, diálogos desses mestres de excelência nas artes visuais para estimular artistas, amigos das artes e afins a repensar as artes visuais contemporâneas, mas sem perder de vista o viés da história das artes.