• Fernand Lodi

Conexões improváveis



Artistas visuais com atuação no Vale do Aço unem forças por uma arte plural e democrática


A partir do dia 2 de dezembro, um novo grupo de artistas visuais residentes no Vale do Aço vai iniciar a exibição do primeiro conjunto de trabalhos desenvolvidos por eles no ano de 2021.


O AVVA Coletivo, composto por sete artistas – cujas trajetórias se entrecruzaram ao longo dos anos –, reúne uma multiplicidade de linguagens que envolve pintura, ilustração, fotografia, videoarte, performance e todo entrelaçamento que pode se dar entre essas e outras formas de materialização da arte. As obras produzidas por eles entrarão gradativamente no ar através de seu perfil no Instagram (@avva_coletivo).


A exposição, intitulada “Blasfematório”, também poderá ser visualizada pelo Art Steps, um site de realidade virtual dedicado à exibição remota de trabalhos de arte. Ao acessar o link que está na bio do perfil do coletivo, é possível adentrar e caminhar por uma “cibergaleria” de arte onde estão expostas duas séries de fotografias, uma fotoinstalação e uma obra de videoarte.


Acostumados a apreciar e prestigiar os trabalhos criados pelos colegas conterrâneos, os artistas decidiram, no final de 2020 – em meio às limitações impostas pela pandemia –, estabelecer conexões improváveis entre seus processos de criação, dando origem a novas obras construídas em conjunto.


Acreditando que a lida coletiva tem o poder de reafirmação da individualidade de modo a potencializá-la e direcioná-la para uma relação aberta com o mundo, Fernanda La Noce, Luciano Botelho, Nilmar Lage, Rita Bordone, Rodrigo Zeferino, Rosane Dias e Wenderson Godoi decidiram romper a bolha de isolamento que em geral aprisiona o artista visual em sua produção solitária.


Lançaram-se ao desafio de integrar forças aparentemente díspares, a fim de dar origem a novas obras que se concretizam em um amálgama das diversas questões, sensações e proposições que motivam a inventividade de cada um e cada uma.


O projeto contou ainda com a colaboração do curador, crítico de arte e professor do departamento de Comunicação Social da UFMG, Eduardo de Jesus, responsável pela escrita do texto curatorial da exposição.


A iniciativa foi viabilizada por um edital da Lei Aldir Blanc para projetos culturais que se destinassem a produção de exposições virtuais de coletivos de artistas.


O edital é financiado pelo Governo Federal através da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura e Turismo de Minas Gerais.


A princípio, nas conversas iniciais do grupo, o que existia era uma profusão pouco conexa de manifestações e de uma produção plural, porém consistente, de trabalhos.


Se, em geral, grupos culturais se unem por afinidades, a integração entre os membros do AVVA foi, na verdade, um primeiro passo de uma genuína odisseia de construção de uma identidade estética.


O desafio inaugural foi identificar os pontos de interdisciplinaridade e as complementaridades entre cada processo criativo, nem que para isso tivessem que forçar os limites das experiências individuais, exigindo que um artista experimentasse a vivência do outro.


DESCENTRALIZAR


Em seu livro mais recente, “O que vem depois da farsa” (2020), o crítico estadunidense Hal Foster comenta que artistas contemporâneos vêm trabalhando na chave da “reconstrução”, ou seja, buscando sistemas que apontem novas alternativas ao mundo em acelerado colapso.


Seguindo as iniciativas das vanguardas pós-modernistas do século XX, o AVVA procura uma energia capaz de se multiplicar pelas singularidades, através de proposições em rede com estratégias cooperativas. Aqui, o centro está em toda parte.


MOSTRAR A CARA


Assim, o coletivo se lança à visibilidade do público com algumas de suas obras finalizadas. Mas a proposta inclui ainda a aparição pública dessa produção, com a realização de projeções em espaços físicos abertos, de forma que as imagens registradas em fotografia e vídeo dialoguem com o espaço urbano das cidades do Vale. As datas e locais das projeções não serão divulgadas pelo grupo, pois a ideia é surpreender o público com a exibição das imagens em lugares pouco convencionais.


Portanto, se de repente você se deparar com uma criatura exótica de proporções monumentais executando uma performance excêntrica na fachada de um prédio qualquer, não há porque se horrorizar, nem tampouco pense em evacuar a cidade. Você apenas se tornou um espectador involuntário da arte do AVVA.


Serviço:

Exposição virtual Blasfematório

AVVA Coletivo

No ar a partir do dia 02/12/21 no perfil @avva_coletivo no Instagram