• Fernand Lodi

Segunda semana do Solus reúne espetáculos 09 espetáculos de quarta a domingo



Na segunda semana do projeto Solus - Encontro de Solos Verbais e Não Verbais espetáculos vindos do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.


A mostra, que teve início no dia 20 de maio, abre sua última semana apresentando 09 espetáculos, de quarta (26) a domingo (30), sempre às 20 horas, no canal do YouTube https://youtube.com/user/luziadiresende.


Ed Anderson, um dos curadores da mostra, destaca que na primeira semana foram contemplados trabalhos que emergem de diferentes esferas pessoais, ou socio-políticas, que variam do micro ao macro, em narrativas potentes que aguçam nossa escuta.


Desde o início a curadoria tentou privilegiar uma diversidade geográfica, tanto em cena, quanto na platéia virtual.


Nos encontros desta semana teremos mais produções de Ipatinga, junto com trabalhos de Fortaleza, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro e, com certeza, teremos mais coisas inquietas por ai, avalia o curador.


Já a atriz Ana Clara, que esteve presente na primeira semana com o espetácuclo “Nós Versus Eles, destaca que, para ela a participação no projeto representa um momento de encontro com uma luz no fim do túnel.


“Um respiro de esperança para esses dias tão pandemicamente frios. O encontro com a arte nos causa o encontro com nós mesmos. Poder estar participando e acompanhando os trabalhos compartilhados por artistas tão sensíveis, é como mirar ao espelho. Vejo reverberar minhas angustias, meus medos, minha luz, minha esperança. Acredito nesse poder que somente encontros artísticos podem proporcionar. SOLUS é uma oportunidade de sobrevivência e encontro”, destaca a atriz.


Katerina Amsler, atriz do espetáculo Vamo Acelerá Essa Festinha, declara que sua resposta para a pergunta provocadora que a mostra Solus nos faz: “o que te move a atravessar um asfalto em chamas?” é a oportunidade de inflamar assuntos urgentes, porque diante desse momento tão difícil e doloroso que estamos vivendo, em todos os sentidos, desistir é muito fácil, principalmente num país que não apoia a cultura quanto deveria. E a mostra Solus, tanto para quem participa como para quem assiste, vem como oportunidade de criar pontes possíveis para renovação do nosso afeto, da nossa força”.


Negrume da Guerra e 3 X Clarice


Um espetáculo de Fortaleza e outro de Ipatinga abrem, na quarta (26), as apresentações da segunda semana do Solus.


De Fortaleza o projeto apresenta Victor Freitas, que assina a direção geral, roteiro e performance de Negrume da Guerra.


De acordo com Victor, o trabalho é a mescla da memória pessoal com a imagem-plástica e a palavra encantada que parte para narração das cartas de despedida dos presidiários mortos por COVID-19 que, por sua vez, alimentam o sistema necropolítico brasileiro.


A segunda apresentação da noite é 3x CLARICE, uma trilogia de vídeo/curtas inspirados em três textos de Clarice Lispector: Verão na Sala, Era uma Vez e Geleia Viva. A atriz ipatinguense Bárbara Pavione, protagonista do espetáculo, destaca que os três vídeos buscam respostas subjetivas aos textos de Clarice. A obra é dirigida por Leo Coessens, que também assina roteiro, montagem e fotografia. A trilha sonora e desenho de som é de Júnio Endrik com produção de Filipe Fernandes.


Para Não Dizer Que Eu Não Falei das Flores e CorpoMáquina


Na quinta-feira ( 27) a atriz Helena Santos, integrante do grupo Perna de Palco, apresenta Para Não Dizer Que Eu Não Falei das Flores.


Com dramaturgia e direção de Luzia di Resende a obra apresenta um período triste da nossa história, final dos anos 60 e início dos 70, período efervescente no teatro, música, cinema, literatura, movimentos e festivais, mas também foi um período doloroso de embate nas ruas, perseguições e exílio. O espetáculo conta com produção audiovisual e edição de Ariel Bertola.

Em seguida a mostra apresenta CorpoMáquina, que vem de São José do Rio Preto (SP). Com ideia original e direção de Vinícius Dall’Ácqua, o espetáculo apresenta Vinícius Frances, que também assina a direção de movimento. CORPOMÁQUINA é um espetáculo de dança intermídia que propõe a reflexão sobre o limite entre o biológico e o sintético, e sua inevitável fusão proporcionada pela busca incessante da transcendência das limitações do ser humano.


“Deixa Ser Eu” e “Enquanto Se Cata o Feijão”. Na sexta-feira (28) a mostra apresenta Deixa Ser Eu, dirigido por Marcelo Oliveira, com texto e interpretação de Greyce Braga. Trata-se de um espetáculo que integrou o movimento "teatro em casa", e se tornou um experimento gravado, com duração de 10 minutos.


“No espetáculo acompanhamos as cenas em vários planos sequências de histórias que representam a violência psicológica, os traumas e as consequências das vivências de seus personagens”, destaca o diretor.


Em seguida Maria Cloenes apresenta Enquanto se Cata o Feijão. A intérprete ipatinguense, assina a pesquisa, criação e concepção, junto com Tatiane Bispo, que também é responsável pela captação e edição de imagens e som.


De acordo com Cloenes, a obra é um filme que fala do tempo e da rotina, das inquietações e processos artísticos que estão a todo instante sendo atravessados pelas tarefas diárias e de afetos e sentimentos em meio ao momento tão delicado que estamos enfrentando.


Jornalismo Sem Gravatas e D’Arc


Na penúltima noite do Solus, sábado (29), presença de obras de Ipatinga e Paracambi, Rio de Janeiro. Ivana Mendes, do grupo Perna de Palco, apresenta Jornalismo sem Gravatas, que traz para a cena o período da ditadura militar, estabelecendo paralelos com a atualidade política do Brasil.


Com dramaturgia e direção de Luzia di Resende o espetáculo conta um pouco da história do jornal Pasquin, um dos representantes da imprensa alternativa que fazia oposição ao governo.


“Era chamado de jornalismo sem gravatas. O trabalho de artistas e jornalistas foi um canal para apresentar as notícias da época. As arbitrariedades do regime e a dureza dos decretos reprimiram o povo, matou pessoas e favoreceu as elites”, destaca Luzia.


D’arc, o segundo trabalho da noite de sábado, nos oferece uma imensidão de imagens e vozes a partir da figura de Joana em diálogo com Deus, conversa que se torna um monólogo diante do silêncio do interlocutor. A intérprete, Liv Stefani Beckenkamp, que também assina o texto, destaca que, a partir dessa Joana que habita nossos imaginários, a peça traça paralelos entre sua luta, vocação e seu martírio com a história de mulheres guerrilheiras e militantes de hoje e ontem, trazendo à tona essas que ousaram erguer sua voz diante da nossa sociedade patriarcal.


Cássio Scapin em destaque no encerramento do Solus


Para encerrar a sexta edição do Solus o ator, diretor e produtor paulista Cássio Scapin apresenta Eu Não Dava Praquilo, um pequeno monólogo cômico dramático criado a partir da biografia da atriz Myrian Muniz, com texto de Cassio Junqueira e Cassio Scapin, direção de Elias Andreato.


Referência no teatro paulista e um dos importantes nomes da história da dramaturgia no Brasil, Myriam Muniz conta muito mais do que uma passagem da nossa memória cultural, mas nos mostra, por meio das suas experiências e da visão de vida, a importância de valorizar o indivíduo e suas capacidades, a importância do auto-conhecimento, da descoberta de si mesmo e de suas potencialidades.


A atriz nos mostra como a experiência teatral é relevante para a abertura das portas dessa capacidade, como a arte e a cultura tem papéis definitos para que o indivíduo possa abrir o pensamento para a relatividade e consiga ser um agente mais seguro e atuante independentemente da função que ocupe, com seu potencial humano e inventivo valorizado e explorado.


Os espetáculos podem ser conferidos em https://youtube.com/user/luziadiresende, sempre às 20h. A realização é da Associação Cultural Perna de Palco, por meio da Lei Federal 14.017 – Lei Aldir Blanc, Governo de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura/Ministério do Turismo. Informações com Luzia di Resende no (31) 98827 8776.


Serviço:


Solus – Encontro de Solus Verbais e Não Verbais

Local: YouTube https://youtube.com/user/luziadiresende

Horário: Sempre às 20 horas


Dia 26 de maio – quarta-feira

Negrume da Guerra, com Victor Freitas – Fortaleza/CE

3 X Clarice, com Bárbara Pavione – Ipatinga/MG


Dia 27 de maio – quinta-feira

Para Não dizer Que Eu Não Falei das Flores, com Helena Santos – Ipatinga/MG

CorpoMáquina, com Vinícius Francês – São José do Rio Preto/SP


Dia 28 de maio – Sexta-feira

Deixa Eu, com Greyce Braga – Recife/PE

Enquanto Se Cata o Feijão, com Maria Cloenes – Ipatinga/MG


Dia 29 de maio – Sábado

Jornalismo Sem Gravatas, com Ivana Mendes – Ipatinga/MG

D’Arc, com Liv Stefani Becknkamp - Paracambi/RJ

Dia 30 de maio – Domingo

Eu Não Dava Praquilo, com Cássio Scapin – São Paulo/SP



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