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Hibridus Pontão de Cultura apresenta “Ornitorrinco”: dança como território de híbridos e reinvenções

  • Foto do escritor: Fernand Lodi
    Fernand Lodi
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Espetáculo gratuito funde memória, identidades e autogestão através de uma coreografia-dramaturgia singular


O Hibridus Pontão de Cultura estreia nos dias 30 e 31 de janeiro, às 20h, no Teatro do Centro Cultural Usiminas, o espetáculo “Ornitorrinco”, nova criação do coletivo que, há mais de duas décadas, entrelaça dança, política cultural, formação e atuação em rede no Vale do Aço.


A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla, e a classificação é livre.

No centro da composição desta obra está a figura do ornitorrinco — animal singular, híbrido por excelência, que combina características de aves, mamíferos e répteis, põe ovos, possui bico semelhante ao de pato, cauda lembrando castor e ainda espiráculos venenosos nas patas — tantas vezes descrito como “impossível de classificar” pela ciência ocidental.


Essa criatura paradoxal, que parece desafiar fronteiras taxonômicas e narrativas, torna-se na obra motivo e metáfora para pensar identidades híbridas, modos de existência e trajetórias que não se encaixam em categorias rígidas — um modo de olhar que ecoa a própria trajetória do Hibridus.


Assim como o ornitorrinco resiste ao rótulo fácil, o coletivo dança contra a ideia de fronteiras estanques entre arte e vida, estética e política, individualidade e coletivo.


Processo de criação e proposta artística


Sob direção e dramaturgia de Thereza Rocha (Universidade Federal do Ceará), Ornitorrinco circula entre fato e fabulação, teatro documentário, reenactment  e desmontagem cênica.

A carioca residente há quatorze anos em Fortaleza, é pesquisadora, docente e artista com trajetória consolidada na dança nacional de trinta anos de trabalho profissional em obras de dança e teatro que somam mais de vinte espetáculos montados.


A diretora afirma: “O espetáculo fala de tempo e de memória. Nele há vários tempos ao mesmo tempo, como na vida do grupo ao longo de todos esses anos: encerro um projeto, ao mesmo tempo, já estou na captação do próximo, quando de repente chega uma diligência de outro projeto de cinco anos atrás.


Se a gente pensa memória como motor e não como lembrança, o passado não passou, o passado está passando, sempre, pois a memória dá à vida sempre uma nova chance.” Ao que Wenderson Godoi completa:


“O passado está à frente, o futuro está na gente.” Ele divide a cena com  Luciano Botelho entrelaçando corpo e tempo para revisitar mais de vinte anos de trajetória do Hibridus — grupo nascido na periferia, na cultura negra e nos projetos sociais de base comunitária de Ipatinga/MG — onde a criação coreográfica não é apenas gesto artístico, mas uma estratégia de vida, convivência e resistência.


Uma presença essencial no espetáculo é o “narrador fora do tempo”: a voz do crítico Marcello Castilho Avellar (1960–2011), recriada por inteligência artificial a partir de registros históricos e com autorização expressa da família. Essa voz não simplesmente relata, mas cria um diálogo com a cena, ativando uma camada crítica e afetiva que amplia a experiência do público e reforça a dimensão política do trabalho.


No palco, o tempo se dobra: coreografias que avançam e retrocedem, trilhos-brinquedo que cruzam paisagens de passado e presente, sons que acionam lembranças e antecipações.

Aqui, a memória não é um arquivo estático — é matéria pulsante, território de invenções e reencontros.


O que o público pode esperar


Ornitorrinco propõe uma experiência aberta a diversos públicos — de quem tem curiosidade pela dança ao espectador interessado em políticas culturais, formação estética, passando pelas histórias de autogestão e trajetórias comunitárias. O espetáculo transforma em imagem e gesto aquilo que normalmente fica nos bastidores — gestão, corre, política cultural, autogestão e sobrevivência artística — em uma coreografia que é, ao mesmo tempo, crítica, afetuosa e inventiva.


A obra é um convite: para olhar para o híbrido, para o que não se encaixa, para o que resiste à facilidade dos rótulos.


É um espetáculo que fala de memória como território de vida, de dança como meio de pensar e fazer mundo, e de arte como prática coletiva que atravessa e transforma vidas.


Realização e patrocínio da Prefeitura Municipal de Ipatinga, por meio de recursos da Emenda Impositiva 2024.


Conta com direção e dramaturgia de Thereza Rocha; artistas da dança Luciano Botelho e Wenderson Godoi; assistência de direção e projeção de vídeos, operação de som e vídeo por Léo Coessens; trilha sonora de Barulhista; iluminação de Marina Arthuzzi e operação de luz de André Rissi; contra-regra: Mel de Faria; figurinos de Vanuza Bárbara; design gráfico da FIP Designer; registro fotográfico de Nilmar Lage e registro audiovisual da Vídeo Plus; produção executiva da Cênika Produções, com Morrison Deoli na coordenação de produção, assistência de produção de Alexia Silva, Christiane Juliana, Jany Francisca e Valéria Mendes; Mary Ellen Siqueira na administração, gestão de redes sociais e comunicação digital de Priscila de Paula, Caroline Lourence e Jônatas Brandão; Colaborações: Thaylon Vieira (Jazz), Verusya Correia (consultoria em curadoria), Rita Aquino (consultoria em mediação artística), Rosa Hércoles (consultoria em dramaturgia), Thereza Rocha (consultoria em criação) e Virgilio Castilho Avelar (irmão de Marcello Castilho Avellar).


Realização e patrocínio: espetáculo realizado com patrocínio da Prefeitura Municipal de Ipatinga, por meio de recursos das Emendas Impositivas 2024.


Colaborações: Thaylon Vieira (Jazz); Verusya Correia (consultoria em curadoria); Rita Aquino (consultoria em mediação artística); Rosa Hércoles (consultoria em dramaturgia); Thereza Rocha (consultoria em criação) e Virgilio Castilho Avelar (irmão de Marcello Castilho Avellar).


Serviço


Espetáculo: Ornitorrinco

Datas: 30 e 31 de janeiro

Horário: 20h

Local: Teatro do Centro Cultural Usiminas – (Av. Pedro Linhares Gomes, 3900 - Shopping Vale do Aço - Ipatinga)

Entrada: Gratuita

Ingressos: Retirada pelo Sympla

Classificação: Livre

Informações: 31935057587


 
 
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"Arte é a Prática da Verdade, do Bem e do Belo, ou seja, Ética, Filosofia e Estética em todos os Âmbitos da Vida"    Massararu Taniguchi/Filósofo Japonês

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